Síndrome geniturinária da menopausa: o que é, sintomas e tratamentos

sindrome geniturinaria da menopausa

A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) afeta até 84% das mulheres após a menopausa, mas muitas convivem com os sintomas por anos sem saber que essa condição tem nome, e tratamento. 

Se você sente ressecamento vaginal persistente, ardor, dor durante relações ou infecções urinárias repetidas, pode estar enfrentando a síndrome geniturinária da menopausa.

Esse termo reúne um conjunto de alterações genitais e urinárias causadas pela queda de estrogênio. Não é frescura nem parte inevitável do envelhecimento. É uma condição médica que merece ser tratada. 

O que é a síndrome geniturinária da menopausa

A síndrome geniturinária da menopausa é o nome dado ao conjunto de sintomas genitais e urinários causados pela deficiência de estrogênio durante e após a menopausa. Antes de 2014, essa condição era chamada de atrofia vulvovaginal ou atrofia vaginal. A mudança do termo foi importante, ele passou a refletir que o problema não se limita à vagina e afeta também a uretra, a bexiga e toda a região pélvica.

O estrogênio é o hormônio que mantém a mucosa vaginal espessa, elástica, bem vascularizada e lubrificada. Quando seus níveis caem, o tecido vaginal perde essas características. O resultado é um epitélio mais fino, mais seco e menos resistente.

Por que a síndrome geniturinária da menopausa é subdiagnosticada

Segundo a Organização Mundial de Saúde, um bilhão de mulheres estará em menopausa até 2025, e até 50% pode sofrer com sintomas da síndrome geniturinária da menopausa. Apesar disso, muitas não buscam ajuda. O tabu sobre sexualidade feminina após os 50 anos e a crença de que é assim mesmo afastam essas mulheres do tratamento.

Principais sintomas

A síndrome geniturinária da menopausa manifesta-se através de sintomas genitais e urinários.

Sintomas genitais

  • Ressecamento vaginal persistente
  • Ardor e queimação na região vulvovaginal
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia)
  • Coceira vulvar
  • Friabilidade do tecido (sangramento ao menor trauma)
  • Diminuição da lubrificação natural
  • Estreitamento do canal vaginal
  • Perda de volume e flacidez dos grandes lábios

Sintomas urinários

  • Incontinência urinária de esforço ou urgência
  • Urgência miccional (vontade súbita e intensa de urinar)
  • Infecções urinárias de repetição
  • Ardor ao urinar (disúria)
  • Necessidade de urinar com mais frequência

Ela não aparece de uma hora para outra. Os sintomas surgem de forma progressiva e tendem a piorar com o tempo se não tratados.

O que acontece na síndrome geniturinária da menopausa

Com a queda do estrogênio, a vagina sofre alterações estruturais:

  • O epitélio vaginal perde espessura, de múltiplas camadas de células, passa a ter poucas
  • A vascularização local diminui, reduzindo o fluxo sanguíneo
  • A produção de colágeno e elastina cai drasticamente
  • O pH vaginal aumenta (de 3,8-4,5 para 6,0-7,0)
  • A flora vaginal muda, as bactérias protetoras (Lactobacillus) diminuem

Essas mudanças explicam por que a síndrome geniturinária da menopausa não causa apenas desconforto, mas também fragiliza a região contra infecções.

Tratamentos modernos para síndrome geniturinária da menopausa

A síndrome geniturinária da menopausa tem tratamento. Diversas abordagens estão disponíveis, e a escolha depende da intensidade dos sintomas e da preferência da paciente.

Hidratantes e lubrificantes vaginais

Hidratantes vaginais de uso regular e lubrificantes íntimos para as relações sexuais oferecem alívio sintomático. Não tratam a causa, mas melhoram o conforto imediato.

Terapia hormonal local

O uso de estrogênio vaginal em creme, óvulo ou anel é considerado padrão-ouro no tratamento da síndrome geniturinária da menopausa. A absorção sistêmica é mínima, tornando-o seguro para a maioria das mulheres. O estrogênio local restaura a espessura da mucosa, melhora a lubrificação e reequilibra o pH vaginal.

Laser íntimo CO2 e Erbium:YAG

O laser íntimo surge como alternativa não hormonal eficaz. Estudos brasileiros recentes, incluindo ensaio clínico publicado na Lume UFRGS, demonstram que o laser CO2 vaginal apresenta eficácia comparável ao estrogênio tópico no tratamento da síndrome geniturinária da menopausa.

O laser atua estimulando neocolagênese, melhorando a vascularização e promovendo regeneração do epitélio vaginal. O procedimento é minimamente invasivo, realizado em consultório, sem necessidade de anestesia. O protocolo habitual envolve 3 sessões com intervalo de 30 dias.

Pesquisa inédita do Instituto GRIS publicada na revista Maturitas, periódico oficial da European Menopause and Andropause Society, comparou quatro diferentes tipos de energia (laser Er:YAG, laser CO2, radiofrequência não ablativa e microablativa) no tratamento da síndrome geniturinária da menopausa. Todos os grupos apresentaram melhora significativa, consolidando essas tecnologias como opção terapêutica segura.

Radiofrequência intravaginal

A radiofrequência também promove regeneração tecidual através do aquecimento controlado. Os resultados são similares aos do laser, com melhora da espessura vaginal, lubrificação e elasticidade.

Fisioterapia pélvica

A reabilitação do assoalho pélvico complementa qualquer tratamento da síndrome geniturinária da menopausa, especialmente quando há sintomas urinários associados.

Síndrome geniturinária da menopausa e qualidade de vida

O impacto da síndrome geniturinária da menopausa vai além do físico. Mulheres com sintomas não tratados frequentemente evitam intimidade sexual, afastam-se de atividades sociais por medo de escapes urinários e experimentam queda significativa na autoestima.

Pesquisa publicada no Climacteric Journal demonstra que mulheres com síndrome geniturinária da menopausa apresentam escores mais baixos de qualidade de vida relacionada à saúde sexual. O tratamento adequado reverte esse quadro.

Quando buscar ajuda especializada

Se você identifica dois ou mais sintomas genitais ou urinários persistentes após a menopausa, procure avaliação ginecológica. A síndrome geniturinária da menopausa é progressiva, quanto mais cedo tratada, melhores os resultados.

Durante a consulta, avalio o histórico completo, realizo exame físico e, quando necessário, solicito exames complementares como medição do pH vaginal e citologia hormonal. O diagnóstico correto da síndrome geniturinária da menopausa direciona o tratamento mais adequado.

A síndrome geniturinária da menopausa tem solução

A síndrome geniturinária da menopausa não é sentença de desconforto permanente. Tratamentos modernos, seguros e eficazes estão disponíveis. Seja através de terapia hormonal local, laser, radiofrequência ou combinação de abordagens, é possível restaurar a saúde íntima e a qualidade de vida.

Você não precisa aceitar ressecamento, dor ou infecções de repetição como parte inevitável dessa fase. A menopausa é uma transição natural, mas os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa merecem cuidado.

Se você convive com esses sintomas, agende uma consulta. Vamos avaliar seu caso e definir o melhor tratamento para você retomar conforto, segurança e bem-estar.