Atrofia vulvovaginal é um termo que muitas mulheres ouvem pela primeira vez no consultório ginecológico, geralmente após anos convivendo com sintomas que acreditavam ser normais da menopausa. Ressecamento, dor durante relações, coceira persistente, ardor ao urinar, tudo isso pode ser atrofia vulvovaginal.
Essa condição afeta quase metade das mulheres pós-menopausa, mas permanece subdiagnosticada e subtratada. Muitas convivem em silêncio com desconforto por anos, sem saber que tratamentos eficazes existem.
Ao longo deste artigo, explico o que é a atrofia vulvovaginal, por que ela acontece e como o laser íntimo pode reverter esse quadro.
O que é atrofia vulvovaginal
Atrofia vulvovaginal, também chamada de vaginite atrófica, é o afinamento, ressecamento e inflamação das paredes vaginais causados pela queda de estrogênio. Quando os níveis de estrogênio caem, o tecido vaginal perde espessura, elasticidade, lubrificação e capacidade de se defender contra infecções.
A atrofia vulvovaginal faz parte do que chamamos de síndrome geniturinária da menopausa, um conjunto de alterações genitais e urinárias relacionadas à deficiência hormonal.
A diferença entre atrofia vaginal e vulvar
Embora frequentemente apareçam juntas, a atrofia pode afetar áreas diferentes:
- Atrofia vaginal: ocorre dentro do canal vaginal. A mucosa fica fina, pálida, seca e friável (sangra facilmente ao menor trauma).
- Atrofia vulvar: afeta a parte externa, pequenos lábios perdem volume e elasticidade, grandes lábios ficam menos cheios, o clitóris pode retrair e a entrada vaginal pode estreitar.
Quando ambas acontecem simultaneamente, chamamos de atrofia vulvovaginal.
Por que a atrofia vulvovaginal acontece
A atrofia vulvovaginal é causada pela queda de estrogênio. Esse hormônio é responsável por manter a vagina saudável de várias formas:
- Mantém o epitélio vaginal espesso e com múltiplas camadas
- Estimula produção de colágeno e elastina
- Aumenta vascularização local (fluxo sanguíneo)
- Promove lubrificação natural
- Mantém o pH ácido (entre 3,8 e 4,5)
- Sustenta a flora de Lactobacillus (bactérias protetoras)
Quando o estrogênio cai, todos esses processos são comprometidos.
Situações que causam queda de estrogênio
A atrofia vulvovaginal é mais comum na menopausa, mas pode ocorrer em outras situações:
- Menopausa natural: após os 45-55 anos
- Menopausa precoce: antes dos 40 anos
- Pós-parto e amamentação: estrogênio cai temporariamente
- Quimioterapia ou radioterapia: danificam os ovários
- Cirurgia para remoção dos ovários
- Medicamentos que suprimem estrogênio: usados no tratamento de endometriose, miomas ou câncer de mama
A atrofia vulvovaginal é progressiva. Diferente dos fogachos, que tendem a melhorar com o tempo, a atrofia piora se não tratada.
Sintomas da atrofia vulvovaginal
Os sintomas da atrofia vulvovaginal variam em intensidade, mas costumam incluir:
Sintomas vaginais
- Ressecamento vaginal persistente
- Ardor ou queimação na região vulvovaginal
- Coceira que não melhora com cremes
- Dor durante a relação sexual (dispareunia)
- Sangramento leve após relação
- Corrimento aquoso ou amarelado
- Sensação de pressão ou peso na vagina
Sintomas urinários
- Incontinência urinária (especialmente de esforço)
- Urgência miccional (vontade súbita e intensa de urinar)
- Ardor ao urinar sem infecção presente
- Infecções urinárias de repetição
Esses sintomas impactam drasticamente a qualidade de vida. Muitas mulheres evitam intimidade sexual por medo da dor, o que gera tensão nos relacionamentos e queda da autoestima.
Como o laser íntimo trata a atrofia vulvovaginal
O laser íntimo, especialmente o CO2 fracionado, revolucionou o tratamento da atrofia vulvovaginal. Ele oferece uma alternativa não hormonal eficaz para mulheres que não podem ou não querem usar estrogênio.
Como o laser funciona
O laser CO2 fracionado emite feixes de luz que penetram na mucosa vaginal criando micropontos de aquecimento controlado. Esse aquecimento gera microlesões térmicas, pequenos danos que ativam o processo de cicatrização natural do corpo.
A resposta do organismo é enviar sangue rico em nutrientes para a área e ativar fibroblastos, células que produzem colágeno e elastina. O resultado é regeneração tecidual completa.
O que acontece no tecido vaginal após o laser
Estudos publicados no PubMed demonstram que o laser CO2 promove:
- Espessamento do epitélio vaginal: a mucosa volta a ter múltiplas camadas de células
- Aumento de colágeno e elastina: o tecido recupera firmeza e elasticidade
- Neovascularização: formação de novos vasos sanguíneos
- Aumento de glicogênio nas células: nutriente que alimenta os Lactobacillus
- Restauração do pH vaginal: volta ao nível ácido protetor
- Repovoamento da flora vaginal: Lactobacillus retornam
Pesquisa publicada na revista Healthcare com 73 mulheres pós-menopausa tratadas com laser CO2 mostrou redução significativa de coceira, ressecamento, ardor e dispareunia, além de melhora na função sexual.
Protocolo de tratamento com laser
O tratamento com laser íntimo para atrofia vulvovaginal segue protocolo padronizado:
- Número de sessões: 3 sessões iniciais
- Intervalo: 30 a 45 dias entre cada sessão
- Duração: 15 a 20 minutos por sessão
- Anestesia: não necessária (no máximo gel anestésico tópico)
- Recuperação: imediata, retorno às atividades no mesmo dia
- Manutenção: sessão anual recomendada
Quando os resultados aparecem
Muitas pacientes relatam melhora já após a primeira sessão, especialmente no ressecamento e na lubrificação. A melhora é progressiva e cumulativa — cada sessão potencializa o resultado da anterior.
O pico de melhora ocorre entre 60 e 90 dias após a última sessão, quando o processo de regeneração está completo.
Laser íntimo versus terapia hormonal
A terapia com estrogênio vaginal (creme, óvulo ou anel) é o tratamento padrão-ouro para atrofia vulvovaginal. Ela é altamente eficaz e tem absorção sistêmica mínima, sendo segura para a maioria das mulheres.
No entanto, algumas não podem ou não querem usar hormônios:
- Mulheres com histórico de câncer de mama hormônio-dependente
- Pacientes que fizeram quimioterapia recente
- Mulheres com contraindicação formal ao estrogênio
- Aquelas que preferem abordagem não hormonal
Para esses casos, o laser íntimo é alternativa comprovadamente eficaz. Estudo comparativo publicado na Medicina demonstrou que o laser CO2 produz resultados similares ao estrogênio vaginal na melhora de sintomas e qualidade de vida.
Quem pode fazer laser para atrofia vulvovaginal
O laser íntimo é indicado para mulheres com atrofia vulvovaginal sintomática, especialmente:
- Mulheres na pós-menopausa com ressecamento e dor
- Pacientes que não podem usar estrogênio
- Mulheres que tentaram hormônio e não tiveram resposta adequada
- Casos de atrofia pós-quimioterapia ou radioterapia
- Atrofia no pós-parto prolongado ou durante amamentação
Existem contraindicações, como infecções ativas, lesões suspeitas não investigadas e gravidez. A avaliação ginecológica define se o procedimento é seguro para você.
Atrofia vulvovaginal tem tratamento
A atrofia vulvovaginal não é parte inevitável do envelhecimento que você precisa aceitar. Ela é uma condição médica com tratamentos eficazes — seja com estrogênio local, laser íntimo ou combinação de terapias.
O laser trouxe avanço importante ao oferecer alternativa não hormonal para mulheres que antes não tinham opção. Os estudos são consistentes: funciona, é seguro e melhora qualidade de vida.
Se você sente ressecamento, dor ou desconforto na região íntima, não normalize esses sintomas. Agende uma consulta. Vamos avaliar seu caso e definir o melhor tratamento para você recuperar conforto e bem-estar.